A crise da meia idade: “Quem sou eu, para além da minha história e dos papéis que exerci?”
- Mariana Giglio
- 29 de fev. de 2024
- 2 min de leitura

Frequentemente assistimos pessoas próximas impactadas com as chamadas “crises” de meia idade, que costumam ocorrer entre os 35 a 45 anos, podendo variar de pessoa para pessoa.
Aparentemente, algumas coisas deixam de fazer sentido, ou na verdade ganhamos consciência de que talvez nunca tiveram um significado importante em nossa vida. Algumas perguntas passam a nos “assombrar”: O que fiz da minha vida até aqui? Gosto mesmo da profissão que escolhi? Estou feliz com minhas escolhas? Minhas relações são saudáveis? Sei mesmo quem sou eu?
Nos sentimos angustiados ao ver que passou praticamente metade de uma vida com uma sensação de que as coisas ocorreram automaticamente, assumimos papéis sem mesmo refletirmos se esses papéis se conectam com nossa essência, nosso verdadeiro “eu”. Parece ter até um roteiro pronto: estudar, se formar, ter uma profissão, se estabilizar financeiramente, ter uma família, ser mãe , ser pai.
Segundo o autor James Hollis, analista junguiano, herdamos da nossa família e cultura que estamos inseridos uma espécie de “herança emocional”, onde algumas escolhas e consequências se repetem de geração em geração, de forma inconsciente reproduzimos comportamentos.
“ a criança que corresponde às expectativas dos pais pode ter perdido a alma ao longo do caminho” - James Hollis.
Mas em um determinado momento de nossa vida sofremos uma espécie de “choque” entre o que sou por herança versus o que sou segundo as exigências do meu verdadeiro eu, ocasionando assim numa crise.
Nesta crise somos convocados psicologicamente para uma transformação e lutar contra esse processo pode causar diversos sintomas psicológicos e até mesmo físicos, como por exemplo depressão, ansiedade, vícios e compulsões, constantes mudanças de empregos, entre outros.
Contudo, quando esta crise é vista como uma oportunidade de experimentarmos uma vida mais significativa, a segunda metade de nossas vidas poderá ser extremamente rica em termos de sentido, propósito e felicidade.
Este processo não é fácil, para quem passa por ele o mundo parece desmoronar, mas há uma grande oportunidade de voltar para dentro de si e assim iniciar um processo chamado pela psicologia analítica de “individuação”.
Individuação significa a realização do “si mesmo” , permite que tenhamos uma compreensão mais profunda e consciente de quem somos de forma integral, se desenvolvendo em direção a uma personalidade mais autêntica.
Agora me conte, você é capaz de responder: “quem sou eu neste momento”? “ o que eu sinto e o que eu quero estão claros para mim?”
Cada um de nós somos convocados para mudança, embora nem todos estejam atentos a esse chamado. É preciso ter coragem para enfrentar nossas emoções e dialogar com elas, e a psicoterapia é uma ferramenta poderosa nesta jornada!
Mariana Giglio - Psicóloga Clínica
CRP: 06/88028
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